Como eu já disse no primeiro post do blog, não existe nenhuma criação que não possa se explicar lógicamente, no meio que chamamos internet onde é muito fácil você aprender, produzir e entregar algum tipo de produto ou serviço falta algum tipo de formação/especialização aos profissionais da áera, esse advento da tal “facilidade de aprendizagem” teve efeitos positivos e negativos para todos nós.
O positivo foi que várias pessoas com backgrounds diferentes entraram, tornando a web dinâmica e maleável, para todos os gostos, isso gerou uma proliferação enorme de conteúdo e atraiu ainda mais pessoas e gerou novo negócios. O negativo é que tudo ficou sem padrão, desorganizado e demorou muito até alguém começar a se preocupar com quais eram as melhores formas de disponibilizar e formatar o conteúdo, para cada segmento.
Mas ok, você deve começar a se perguntar agora o por que dessa aladainha toda, com os fatos acima a internet virou essa terra de ninguém e todo fica se perguntando, quem tem razão. Razão essa é a palavra-chave, estamos fomentando “estrelas” e se preucupando pouco com o método cientifíco, isso ocorre por conta de muitos profissionais da área não se perguntarem o Por quê do que estão fazendo e simplesmente saem fazendo sem ao menos perguntarem o Por quê aquilo funciona daquele jeito, o Por quê o projeto deu errado.
A técnica dos 5 Por quê
Foram os japoneses que colocaram em prática a técnica no chão da fábrica, logo após o milagre da ecônomia nipônica (o período pós Segunda Guerra Mundial) e que hoje é parte do que nós ocidentais conhecemos por sistema Just In Time, este foi o meio que eles encontraram para aumentar a qualidade e diminuir o desperdício na linha de produção. Consistia em basicamente um funcionário, assim que detectasse alguma falha, parava a linha de produção na hora, e todo mundo se reunia para tentar resolver o problema de vez, e eles bolaram essa teoria que para conseguir chegar a raiz do problema, estimando que precisa, no máximo, se perguntar 5 vezes por quê aquilo ocorreu para detectar o agente falho. Vamos tentar?
Por que o projeto atrasou?
1. Porque o programador não cumpriu o prazo.
Por que ele não cumpriu o prazo?
2. Porque teve muitas mudanças no layout.
Por que teve mudanças no layout?
3. Porque o briefing foi colhido errado.
Por que o briefing foi colhido errado?
4. Porque o cliente não sabia o que queria.
Por que o cliente não sabia o que precisava?
5. Porque não demos consultoria adequada à ele.
Esse papo ai de cima deve ser conhecido de muita gente da área, não é mesmo? Mas essa técnica é ótima para ser aplicada em todos os aspectos pois, a partir dela podemos aprender realmente como as coisas funcionam, ao invés de ficarmos arranjando soluções paleativas. Outro problema que o “Por que” pode resolver é o do estrelismo.
Este é um problema dos mais comuns em agências de publicidade e circula, principalmente entre os profissionais de criação causado pelo vírus do Ego inflado, onde esses, se acham livres de explicar o por quê das coisas em prol da causa artística, daí o tiro sai pela culatra, apesar desse problema ser mais explícito entre esse grupo, atinge as mais diferentes áreas. Porém como Einstein já disse�
“Se você não pode explicar o que fez de maneira simples, você não pode explicar de maneira alguma”
então para toda criação e arte deve haver um Porque que deve convergir ao objetivo do projeto.
Esse tipo de atitude dentro do ambiente de trabalho pode trazer muitas melhorias tangíveis como, a melhora da comunicação entre profissionais, pode ajudar a defesa de um projeto junto a um cliente ou grupo de investidores e garante uma forma sistmatíca de abordar os problemas sem tanto stress. E então você já se perguntou o Por que hoje?
Leia também este post do Akita sobre Método Científico vs. Cargo Cult.
Me lembro da primeira vez que ouvi este conceito, estava fazendo um curso de flash developer, e o professor explicando como programar em classes (que é algo um tanto quanto abstrato) disse uma frase que marcou:
“Não se preucupem se não entenderem isso agora, uma vez um aluno só veio a entender, um ano depois e veio contente me contar o quão bom é.”
Então lá fui eu, me meter a programar a essa tal de classe, é até hoje eu aprendo novas formas e conceitos em utiliza-la, com a equipe do trabalho crescendo procurei transmitir esse conhecimento, e o pessoal não assimilava facilmente então eu formulei a seguinte teoria.
O aprender e o entender
Quando alguem nos ensina alguma coisa nova, nós não assimilamos aquela informação, nós aprendemos a lição mas não, necessariamente sabemos como, quando, onde e os macetes de aplica-la, até que nos confrontamos com momentos de decisão onde todo aquele conteúdo acumulado, volta a tona, e nosso cérebro faz o link daquela informação com um problema real, e então entedemos como usar e nunca mais esquecemos.
Bem depois de comentar com alguns conhecidos antes e o depois, pude perceber que há muita diferença nessas duas palavrinhas, mas algo ocorreu algumas semanas atrás, em uma palestra de marketing para engenheiros, ministrada pelo Cadu Silva, logo no ínicio ele deu a forma e conceito, que faltava para concluir esse raciocínio.
Dados
Tudo é um dado, qualquer tipo de input que recebemos que não agrega nenhum valor, por exemplo os números brutos de uma pesquisa.
Informação
Quando aplicamos algum tipo de inteligência nos dados que recebemos, ele se transforma em informação, que pode ser digerida e nos dão algum parecer sobre alguma coisa.
Conhecimento
Esta informação fica armazenada em nossa mente, porém, só se transforma em conhecimento se for aplicada em alguma situação real, o tal poder de decisão.
Isso traz para o ambiente de trabalho duas coisas muito importantes, primeiro: sempre estar lendo, aprendendo e inovando nossas ações, segundo: sempre transmitir informação para poder colher e gerar novos conhecimentos. Pense bem, é impossivel saber qual dado é relevante e quando vamos conseguir transformar a informação em conhecimento, imagine agora se é um terceiro/colaborador.
Mas se temos um fluxo grande de idéias, de sinergia e de liberdade de escolha e pensamento, podemos colher o benefício do conhecimento agregado, por nós, e pelos nossos colegas e colaboradores, simplesmente por aumentarmos os dados e as informações, todos tem algo para contribuir e assim podemos atingir metas coletivamente, que é um tópico de administração enxuta.
Olá, meu nome é Edson Hilios sou designer industrial e futuro engenheiro, trabalho como consultor web em novos negócios e arquiteto de informação, este blog foi criado para compartilhar algumas idéias que considero relevantes na concepeção e gestão de projetos web, espero poder instigar os meus leitores e aprender com seus feedbacks e juntos pensar na web de hoje e amanhã, então mãos à obra.
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